A Pro-Arte

Os Seminários de Música Pro-Arte do Rio de Janeiro foram criados em 1957 por um grupo de músicos e professores, liderados por H.J. Koellreutter, que tinham como objetivo criar um tipo novo de Escola de Música, que se opusesse ao padrão, então vigente, de ensino acadêmico. Esteve ligada à PRO ARTE SOCIEDADE DE ARTES, LETRAS E CIÊNCIAS até 1974.

Nesses seus 51 anos de vida, milhares de estudantes puderam então experimentar esse novo sistema de ensino de música, sob a orientação de professores, tais como Homero de Magalhães, Guerra-Peixe, Esther Scliar, Roberto Schnorremberg, entre outros. A instituição também promoveu, nesse período, inúmeros cursos especiais e "Master-Classes" com renomados professores brasileiros e estrangeiros.

Além de sua atividade predominantemente didática, a Pro-Arte criou e manteve vários conjuntos artísticos, tais como Pro-Arte Antiqua, Academia Antiqua Pro-Arte e Pro-Arte Dança Antiqua, Pro-Arte Contemporânea, Coral Pro-Arte, Coral 4 Cantos Pro-Arte, Coro de Câmera Pro-Arte, Orquestra de Sopros da Pro-Arte e Flautistas da Pro-Arte, esses três últimos em plena atividade.

A Pro-Arte, promoveu concertos no Rio de Janeiro, com entrada franca em sua grande maioria, trazendo o melhor, tanto da música de concerto como da música popular para o público carioca. Entre suas séries de maior sucesso, podemos mencionar o Espaço Pro-Arte, na década de 1980.

Em seu currículo de atividades atuais, elabora e administra projetos culturais ligados à Música, Dança, Teatro, etc. A Pro-Arte conta com um colegiado de trinta eméritos professores, todos músicos atuantes, sob a presidência da professora Elza Usurpator Schachter.

Histórico

Em 1931 Theodoro Heuberger, cidadão brasileiro, nascido em Munich, ligado à Escola do Bauhaus, que representava então as tendências mais modernas da arte européia, Frei Pedro Sinzig, O.F.M., notável musicólogo e compositor, e Maria Amélia de Rezende Martins, pianista e camerista, fundaram a PRO ARTE SOCIEDADE DE ARTES, LETRAS E CIÊNCIAS. Nos Salões da PRO ARTE, realizaram-se, naquele tempo, exposições, conferências e concertos.

Nesse período já florescente da PRO ARTE , Theodoro Heuberger e Maria Amélia de Rezende Martins, enfrentando as dificuldades de comunicação e transportes da época, criaram as primeiras caravanas artísticas que percorreram as cidades do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, levando Música, Exposições e obras de artesanato.

Em 1935, fundou-se o Conservatório do Rio de Janeiro em que ensinavam. entre outros. Tomás Teran, Alfredo Gomes, Lea Bach, Mathilde Bailly, Karpilovsky, Paulina d’Ambrosio, etc. que durou até 1939.

Em 1950, Theodoro Heuberger, criou em Teresópolis o 1º Curso Internacional de Férias, que foi o primeiro do gênero no Brasil, tendo como Diretor Artístico H.J. Koellreutter.

Desse ano em diante, o curso teve como Diretores Artísticos: Roberto Schnorrenberg, Heitor Alimonda, Homero Magalhães, Gilberto Tinetti, Alberto Jaffé, Roberto Ricardo Duarte e Carlos Alberto Figueiredo. Foram professores, entre outros: Villa-Lobos, E.Krenek, Karl Ulrich Schnavel, Gerard Huesch, Carl Seeman, Tomas Teran, Noemie Perugia, Oscar Niemeyer, Mario Pedrosa, Manuel Bandeira, Guilherme Figueiredo. E dele, saíram alunos que depois se projetaram no cenário musical, tais como Isaac Karabtchevsky, Edino Krieger, David Machado, Cláudio Santoro, Saloméa Gandelman, Mauro Moreira, João Carlos Martins, Berenice Menegale entre tantos outros.

O curso serviu assim de modelo para os festivais de Ouro Preto, de Porto Alegre, Curitiba, Campos do Jordão e outros. Durante o XV Curso, Teresópolis foi declarada a “Cidade dos Festivais” e o Prefeito de Teresópolis, Paulo Torres, fez doação de uma área na Rua Gonçalo de Castro, 85 onde foi fundada a Escola de Arte e Artesanato que tornou-se um Centro de Cultura da Cidade e sede dos Cursos de Férias.

Em 1952, criou-se a Pro-Arte a Escola Livre de Música (depois Seminários de Música) de São Paulo, e em 1953 a de Piracicaba, em 1954 os Seminários da Bahia, em convênio com a Universidade da Bahia, e em 1957, Os Seminários de Música Pro-Arte do Rio de Janeiro, a única dessas instituições que se mantém em atividade até os dias de hoje.

Os Seminários de Música Pro-Arte do Rio de Janeiro, fundados em 1957, teve como primeiros professores Ernest Schrmann (ex-assistente de Hermann Scherchen), Mario Matheus (canto), Hans Graf (piano), Carmela Sachy (violino), e no setor de jazz Hélio Marinho e Chaim Lewak, além de Koellreutter (diretor artístico). Sua primeira sede foi a casa cedida por Maria Amélia de Rezende Martins, na Rua Sebastião de Lacerda, 70. O grêmio dos alunos denominou-se Grêmio Villa-Lobos.

Em 1958, com a ida de Koellreutter para a Bahia assume a direção dos Seminários o pianista Heitor Alimonda e do corpo docente faziam parte Josef Biro (violino), Semita Valenka (canto) e Edino Krieger (matérias teóricas). Nesse ano foi criada a Orquestra de Câmara Pro-Arte, formada com os principais alunos do Curso de Férias de Teresópolis e também o Coro dos Seminários, ambos sob a direção do maestro Roberto Schnorrenberg. Sua apresentação foi no auditório da ABI em 02/04/59. Nessa época, o Grêmio Villa-Lobos promoveu na sede dos Seminários encontros dos artistas contratados pela ABC PRO ARTE com os alunos, que puderam ouvir de perto artistas como Wilhelm Backhaus, Walter Gieseking, Pierre Fournier, Christian Ferras, Quarteto Húngaro, Victoria de Los Angeles, Pawel Serebriakow, entre outros.

Os Seminários constituíam pois um núcleo de importante atividade musical. Outras personalidades ali fizeram conferências, tais como Villa-Lobos, Curt Lange, Fernando Lopes Graça, Luis Heitor, Antonio Houaiss, José Guilherme Merquior, etc. O Grêmio Villa-Lobos promoveu o Festival Mozart-Vivaldi e o I Festival de música (no auditório de O GLOBO) em 1960. Nessa época foi fundado o Madrigal Pro-Arte pelo prof. Homero de Magalhães e o Grêmio Villa-Lobos promoveu uma memorável série de concertos ao ar livre no MAM, em cuja programação apresentou-se pela 1ª vez em público o conjunto Roberto de Regina, A Orquestra de Câmara Pro-Arte, dissolvida, renasceu posteriormente sob a direção de Alberto Jaffé e Homero de Magalhães, que dirigiam vários concertos em auditórios do Rio. Os coros dos Seminários foram dirigidos sucessivamente por Schnorrenberg, Bruno Wizuy, Homero de Magalhães, Aleida Schweitzer, Jacques Morelenbaum, John Neschling, Koellreutter e atualmente por Carlos Alberto Figueiredo. Em 1970, assumiu a direção dos Seminários o compositor Guerra-Peixe que dirigiu uma prestigiosa classe de composição.

Em fase independente, a partir de 1974, foram diretores dos Seminários de Música Pro-Arte: Saloméa Gandelman, Léo Soraes, Homero de Magalhães, Rejane Carvalho de França, Carlos Alberto Figueiredo, José Armesino Rodrigues Neto, e, atualmente, Carlos Alberto Rodrigues.

Da atividade didática dos Seminários saíram os conjuntos Pro-Arte Antiqua, Quadro Cervantes, Kalenda Maya, Banda Antiqua, Céu da Boca, Barca do Sol e a elogiada Orquestra Itiberê Família que é fruto da primeira Oficina de Música Universal da Pro-Arte.

 

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