Oficina de Linguagem Musical e Oficina Instrumental Professor Itibere Zwarg

 

Público alvo
É direcionada a músicos que tenham alguma prática em seu instrumento, porém em qualquer nível de desenvolvimento técnico.

Método
Itiberê aplica um processo didático onde a composição de uma obra musical, no decorrer da oficina, é por ele realizada passo a passo com a presença ativa dos músicos , de forma que a execução - feita de ouvido e por partes pelos participantes , e a escrita musical - registrada na hora, também por partes , pelo monitor - aconteça quase simultânea à criação. Através de instruções concomitantes ao processo de criação de conceitos gerais como equilíbrio acústico, intenção interpretativa, execução e memorização, os músicos que participam dessa oficina desenvolvem versatilidade e técnica , na prática, ao executarem em conjunto uma obra musical de qualidade , criada especialmente para aquele grupo específico.

Objetivos
Desenvolver a percepção rítmica, melódica e harmônica, a memória e a estética musical, inseridas na técnica mecânica. Aprender a ouvir e tocar em harmonia com outros instrumentos.

Resultados
Desenvolver a interpretação a partir da escuta de todos os instrumentos. Destaca-se a interação musical deste processo de composição denominada por Itiberê de "de corpo presente" - a música é entendida e apreendida como um todo.

Fundamentos
A Oficina de Música Universal é fundamentada na genial concepção musical de Hermeto Pascoal com quem Itiberê Zwarg toca há 30 anos.
Música Universal foi o termo encontrado por Hermeto para descrever essa qualidade avançada de fazer música, poli harmônica, poli rítmica e rica em combinações timbrísticas que sem preconceitos engloba todos os estilos, valoriza elementos da tradição musical popular brasileira e, ao mesmo tempo, ultrapassa a barreira entre a música erudita e a popular justapondo traços da música regional de todo o mundo, refletindo com isso sua universalidade.

Formato
As Oficinas são de 3 horas de duração e , acontecem nos Seminários de Música Pro Arte , sempre nas quintas-feiras, de manhã , das 9 as 12h ou de tarde das 14 às 17h.

Compor de Corpo Presente
A forma de compor utilizada por Itiberê, chamada por ele de "corpo presente" - composição e arranjos feitos in loco, transmitidos diretamente e simultaneamente aos músicos - vem se mostrando como uma excelente escola musical. Partindo do princípio de que a formação musical é um processo contínuo e presente em toda a vida do músico, nas Oficinas de Música Universal que ministra nos Seminários de Música Pro Arte e em universidades, escolas de música e festivais, Itiberê demonstra e põe em prática sua maneira de composição, que se desdobra num aprendizado singular para cada músico que dela participa.
A música é composta por Itiberê em partes, na presença dos músicos e transmitida a eles imediatamente, com ajuda da voz, do piano ou de outro instrumento. Assim os instrumentos vão entrando cada um à sua vez - composição e arranjos são feitos ao mesmo tempo. Essa vivência do músico no processo de criação possibilita que o participante aprenda a ouvir e tocar em harmonia com outros instrumentos, através de instruções concomitante de conceitos gerais como equilíbrio acústico, intenção interpretativa, execução e memorização. Destaca-se a interação musical deste processo didático de composição "de corpo presente" - a música é entendida e apreendida como um todo, o que inclui de forma harmoniosa a participação individual, conforme o empenho e a capacidade de cada um.
O fato de trabalhar em primeiro lugar a escuta e a prática musical pode ser comparado com a lógica que se estabelece no aprendizado infantil - primeiro a criança escuta os sons emitidos na fala dos adultos, reconhece-os e associa a estes seus significados, aprende a repeti-los e posteriormente a escrevê-los. Nas Oficinas de Música Universal ministradas por Itiberê é trabalhado o talento de cada participante na prática em conjunto, em seus limites e possibilidades, respeitando e estimulando o desenvolvimento individual. Desta forma o processo se torna mais interessante e envolvente; teoria musical e escrita são melhores compreendidas, rompendo os parâmetros do ensino formal de música que coloca o ensino na teoria.
Trabalhando com a linguagem da Música Universal de Hermeto Pascoal, que agrega complexidades harmônica, rítmica e melódica às composições; polirritmias e politonalidades e referências dos mais diversos estilos musicais, o músico desenvolve sua versatilidade e sua técnica profundamente. A complexidade da Música Universal praticada com a forma de composição de "corpo presente" permite aos músicos uma rápida evolução e amadurecimento na execução, interpretação, improvisação, leitura e escrita musical; ao reproduzir as partes da composição, o próprio músico identifica suas dificuldades, o que estimula o empenho no estudo individual, através do qual busca seu desenvolvimento e aprimoramento, preparando-se para o trabalho em grupo, sempre buscando ultrapassar seus limites.
A heterogeneidade do grupo que participa da oficina é balizada pelo estímulo à cooperação no aprendizado coletivo, formando um todo de expressividade ímpar. Assim como o músico desenvolve suas formas individuais de interpretação e de expressão, são estimuladas também práticas de colaboração entre os músicos mais ou menos experientes, deixando as individualidades sobressaírem naturalmente na medida de suas habilidades, com intuito de alcançar um resultado coletivo de qualidade.

Breve Currículo
Nascido na capital paulista em 1950, Itiberê foi introduzido na música pelo pai, Antônio Bruno Zwarg ,compositor e músico regional. Aos dezesseis anos ganhou seu primeiro contrabaixo acústico do irmão Moacyr com quem tocava violão na boate Lampião,de seu pai, em Itanhaém.
Começa sua carreira profissional com grupo Ray Carelli, fazendo bailes no interior de São Paulo.
No final dos anos 60 até início dos 70, participa dos trios Xangô Três e Bossa Jazz Trio.Toca na noite paulista com vários músicos, dentre eles Tenório Júnior e Luis Mello. Acompanha em turnê pelo Brasil e exterior, cantores como Claudete Soares, Araci de Almeida, Eliana Pitmam, Edu Lobo e Maria Medalha. Recebe orientação do professor Nicolai Tchevtchenko e participa da Sinfônica Estadual Jovem.
Em 77 começa um novo e grande ciclo de música ingressando no grupo de Hermeto Pascoal, aonde se mantém até hoje. Além da oportunidade de desenvolver um estilo próprio no contrabaixo, aprendeu muito com o Mestre musical: harmonia, arranjo, composição, e acima de tudo, saber ouvir para só então criar.
A partir de 82 viaja com Hermeto e Grupo em turnês anuais pela Europa, América e Japão; participa de workshops e oficinas de Hermeto na França, Alemanha, Suíça, Estados Unidos.
Com Hermeto grava nove discos: Zabum Be.Bum.A; Montreaux ao Vivo; Cérebro Magnético; Hermeto Pascoal e Grupo; Lagoa da Canoa ; Só não Toca Quem Não Quer; Brasil Universo e Festa dos Deuses, Mundo Verde Esperança.
Itiberê inicia em 1992 carreira de compositor e arranjador: assina o CD "Variasons", de Gilson Macedo; participa do CD"De onde vens", da cantora Ivetty Souza, e do CD "Cordas cruzadas" do quarteto Maogani de violões,entre outros. Compõe e arranja para o Trio Itiberê Zwarg, onde atua também como pianista.
Em 1.999 cria a Itiberê Orquestra Família nos Seminários de Música Pro-Arte. Em 2001 lança o primeiro CD duplo "Pedra do Espia", da Itiberê Orquestra Família, onde assina como compositor, arranjador e regente e , em novembro de 2005, o segundo cd duplo: Calendário do Som,com 27 músicas do Hermeto Pascoal, arranjos de Itiberê Zwarg.
Vencedor da bolsa Vitae compositor em 2005. Em 2006 aprova projeto de lançamento do seu segundo cd com a Itiberê Orquestra Família pelo Brasil, Montevidéu e Buenos Aires pelo Programa Natura Musical e a confecção de um song-book com cd de suas composições feitas nas oficinas permanentes na Pro-Arte, pela Petrobrás .
É professor de prática da Música Universal na Pro-Arte em Laranjeiras, no Rio de janeiro, onde através de metodologia própria tem possibilitado desenvolver uma geração de talentos. Ministra workshops e oficinas em todo o Brasil e no exterior.

Nas palavras do compositor
"Conforme vou compondo, em um instrumento qualquer, a música vai sendo executada quase simultaneamente à criação. Por exemplo: faço uma frase melódica e passo para o clarinetista; a harmonia para o pianista; e em seguida vou abrindo as vozes para todos os instrumentistas, parte por parte. Isso possibilita o desenvolvimento de habilidades especiais por parte dos músicos. Reproduzir de ouvido o que vou criando desenvolve a percepção rítmica, melódica, harmônica e a memória musical, além da técnica mecânica. O que se verifica é que a memória de cada um dos músicos é acionada pelo estímulo do som e não pelo estímulo gráfico. Só depois de parte da composição e arranjos prontos é que cada um dos instrumentistas com ajuda de meu monitor, escreve o que executou,desenvolvendo a habilidade da escrita musical. Por isso os músicos que integram a oficina amadurecem rapidamente a interpretação e também aprendem a escutar todos os instrumentos, presenciando e participando ativamente de todo o processo de criação. Através de minhas composições e arranjos desenvolvo na prática tudo que aprendi com o Mestre Hermeto Pascoal. O termo "Música Universal" traduz a nossa variedade de cores e estilos que tem por característica propiciar novas riquezas harmônicas, rítmicas e melódicas".

Itiberê Zwarg

 

 
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